

O Memorial da Resistência do Ceará ocupa o edifício que abrigou a Superintendência da Polícia Federal em Fortaleza durante a Ditadura Militar. Espaço de graves violações de direitos humanos, o imóvel passa por processo de ressignificação como lugar de memória sensível, transformando um antigo aparato de repressão em instrumento de reparação simbólica e defesa da democracia. A intervenção concentra-se no subsolo da edificação, onde se distribuem cinco salas expositivas, as antigas celas, um pátio interno e a reserva técnica. O projeto preserva prospecções, mobiliários históricos e estruturas das celas, ao mesmo tempo em que introduz soluções contemporâneas de acessibilidade, iluminação, climatização e conservação preventiva.
O Plano Museológico desenvolvido estrutura a atuação do Memorial a partir de sua missão de valorizar a cidadania, a dignidade humana, a educação e a difusão da memória, tendo como visão ser um centro de referência em debates sobre a ditadura militar no Brasil, com especial atenção ao contexto cearense. A expografia organiza o percurso narrativo em cinco ambientes ocupados por mobiliários e recursos multimídia, sempre respeitando a integridade das celas e das marcas deixadas pelos presos políticos.
A fundamentação histórica do Memorial baseia-se em ampla sistematização da literatura sobre a Ditadura Militar no Ceará, juntamente do diálogo permanente com representantes da SECULTFOR e da sociedade civil através de uma equipe multidisciplinar, envolvendo historiadores, antropólogos, dentre outros. A pesquisa mapeou dezenas de trabalhos acadêmicos e identificou “rastros cearenses” que evidenciam as particularidades do regime e das formas de oposição no estado. Ao articular passado e presente, o Memorial assume o compromisso com a justiça de transição, o direito à memória, à verdade e à reparação, reafirmando o lema “recordar para não repetir”. Mais do que expor a história, o equipamento se afirma como espaço de formação política, reflexão crítica e mobilização social em defesa dos direitos humanos e da democracia.
Apoiados nesse sólido referencial teórico, desenvolvemos o plano museológico, o projeto arquitetônico, o design expográfico e a identidade visual em total sinergia. Optamos por uma linguagem que pouco intervém na arquitetura, desenhando um espaço institucional focado no respeito pela história e na diversidade e inclusão do público. O design gráfico e os percursos expositivos dialogam com essa mesma clareza espacial, resultando em um memorial com importante conteúdo histórico, guiando os visitantes por uma experiência imersiva, respeitosa e contemporânea.
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LOCALIZAÇÃO
Fortaleza
PERÍODO DO PROJETO
2023-2025
STATUS
Concluído